Hope - O Primeiro Impacto (Hopeu, 2026)

Em regra, não vejo trailers. À exceção de filmes que já assisti ou daqueles que, provavelmente, não assistirei. Hope se enquadrava no segundo caso: em 9 de agosto de 2026, seu teaser foi sugerido no YouTube. Cliquei. Esperava algo genérico e, talvez, com uma estética legal. Contudo, confesso que fiquei intrigado: havia algo diferente ali.
O que mais me chamou a atenção foi o nível de produção somado à menção ao Festival de Cannes — o longa concorreu à Palma de Ouro. Entretanto, o que me pegou mesmo foi sua ambientação: situado numa pequena cidade da Coreia do Sul dos anos 1980, a julgar pelos carros e construções — Aliás, essa "baixa tecnologia", como o uso de telefone com fio, máquina fotográfica analógica, bicicleta e até cavalos, proporciona uma dinâmica bem interessante à narrativa: maior necessidade de deslocamento e exploração presencial dos locais.
Um outro aspecto que me cativou foi a atmosfera de mistério que lembra muito o início da campanha do jogo Halo 3: ODST, na qual o protagonista faz incursão na cidade logo após uma grande batalha da qual não participou. Diante disso, inicia uma investigação em que coleta pistas a fim de compreender o que aconteceu, sempre com o perigo à espreita.
Nesse ponto, Hope é genial: entrega ótimas cenas de suspense e ação que se desenrolam durante o dia, em cenários e planos abertos. Tudo vai bem até os 48 minutos iniciais da projeção, conduzidos pelo chefe de polícia Ko Bum-seok. A partir daí, começam os problemas e dois deles ocorrem de forma simultânea: efeitos visuais ruins e a revelação precoce do mistério que mantinha o espectador na ponta da cadeira, apreensivo — pois a duração total do longa é de 2h 36min.
Entretanto, se ignorarmos o aspecto técnico — falo do CGI de baixa qualidade — e focarmos apenas na narrativa, diria que a esperança sobrevive até 1h 01min, quando a policial Im Sung-ae vai ao encontro de Bum-seok e, juntos, protagonizam a cena mais fodástica do filme. Depois disso, perde-se o ritmo, o rumo e não há mais nada relevante; apenas dá palco a um elenco ocidental que, em que pese seu talento, soa mais invasivo do que os personagens que interpretam.
Dessa forma, Hope - O Primeiro Impacto é um filme com grande potencial e, justamente por isso, decepciona em sua atrapalhada execução nos dois terços finais — fica a dúvida sobre o quanto a visão do diretor, orçamento e interferência de produtores/estúdio pesaram no resultado final.
Acredito que uma nova montagem, mais enxuta e usando as cenas existentes, poderia "salvá-lo". Enquanto a hipotética "versão do diretor" não vem, cogitei uma fanfic, apontando como faria isso se a tarefa estivesse em minhas mãos. Já imaginei duas ou três versões alternativas para o filme. Caso as transforme em texto, faço um novo post chamado Half-Hope - A Fan-made Cut.
P.S.: A resenha está pronta desde 14 de outubro, mas não tive coragem de publicá-la na ocasião. Pois quando terminei o último parágrafo, percebi que Hope me traz sentimentos contraditórios: por mais que tenha todos os problemas apontados, é impossível ficar indiferente a ele. Soa como se a parte boa fosse o primeiro filme (excelente, mesmo com o CGI ruim) e a parte ruim fosse sua continuação (roteiro confuso, ainda que traga cenas de ação legais). Enfim, acredito que se tornará um filme cult.
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Recomendo também estas duas análises em vídeo:
HOPE Explained: Why Korea Is Divided Over Na Hong-jin's New Film - Hana from Korea - YouTube
O Filme de Alienígenas Mais Insano do Ano? | Hope REALMENTE Explicado - Central Pandora - YouTube
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