Impérios da Comunicação (Tim Wu) - Cap 06 de 21 - O ideal da Paramount

Este post faz parte do Diário de Leitura.
Capítulo 6 - O ideal da Paramount
Trata das diferentes visões de negócio de Adolph Zukor e W. W. Hodkinson, mostrando como ambas impactaram as salas de exibição e a indústria cinematográfica como um todo.
O ideal da Paramount, preconizado por seu presidente, W. W. Hodkinson, consistia na venda de um pacote fruto de uma curadoria prévia cujo objetivo era selecionar os melhores filmes. Em suas próprias palavras: "melhores filmes, maior público, metragens mais longas, por uma plateia melhor".
Por outro lado, Adolph Zukor defendia a venda casada baseada no "star system". Tal prática consistia num pacote de filmes protagonizados por atores e atrizes famosos. Em que pese o talento individual destes, não era uma garantia de bons filmes.
Quando Zukor assumiu a Paramount, um de seus vendedores teria dito: "Enquanto tivermos Mary na programação, podemos pendurar qualquer coisa no pescoço dela"; referindo-se à Mary Pickford, atriz da época, conhecida como "Queridinha da América".
Ao passo que Hodkinson idealizava filmes autorais, Zukor advogava por um modelo centrado no produtor executivo e numa ideia de indústria como linha de produção, semelhante ao Fordismo.
Essa divergência resultaria numa manobra de Zukor, que comprou sócios da Paramount e, com isso, afastou Hodkinson da presidência. mas isso não bastava, queria ir além disso e ter o controle sobre todas as etapas da indústria: da produção à exibição.
Do lado dos donos das salas de exibição, há um descontentamento por dois motivos. Primeiro, por ter que ocupar a grade de exibição com filmes considerados ruins, pela força da obrigação contratual. Sem a exibição deles, não teriam direito de exibir os filmes bons. Segundo, pelo fato de não poderem exibir os filmes de produtores independentes.
Na prática, Zukor estava apenas replicando a prática monopolista / oligopolista do Truste Edison que outrora combateu. Os proprietários de cinemas formaram a First National Exhibitor's Circuit, numa tentativa de decidir o que seria ou não exibido.
Essa coalização dos exibidores combateu usando "fogo contra fogo", contratando dois astros: Charlie Chaplin e a, já citada, Mary Pickford.
A resposta de Zukor foi agressiva: forçou os exibidores a entrarem para a sua cadeia de cinemas ou a exibir exclusivamente os filmes da Paramount. Quem recusasse, seria punido com a abertura de uma nova sala de cinema, para fazer concorrência.
Ainda hoje, vemos os reflexos de tal prática que, por vezes, prejudica a diversidade de títulos em cartaz.
Cabe lembrar que Hodkinson começou como membro do Truste Edison. Depois, tornou-se o principal aliado dos independentes e acreditava que as camadas da indústria deveriam ficar separadas:
[...] em outras palavras, que os produtores deveriam se concentrar exclusivamente em fazer filmes, os exibidores em administrar os cinemas, e os distribuidores juntariam os dois. Não fosse assim, ele concluía, a qualidade dos filmes seria prejudicada: "a história do setor tem mostrado que os filmes mais bem-sucedidos foram criados por esforços individuais, e não pela produção em massa". (p. 108)
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