Que Bruxaria é essa, Tom Morello?

Sou do tipo que, muitas vezes, foca mais no detalhe do que no todo. Por conta disso, tenho um péssimo poder de síntese em tudo para resenhas de filmes ou álbuns musicais, por exemplo. Surgiu então a ideia desta postagem sobre músicas nas quais instrumentos são usados de forma inusitada. Citarei outros artistas, mas o destaque vai para o guitarrista do Rage Against The Machine.
Aviso: os links vão direto à minutagem citada dos vídeos no YouTube; ainda assim, o texto será descritivo. Por dois motivos: 1) trazer maior acessibilidade; e 2) contemplar quem acompanha pelo feed RSS ou até mesmo tiver convertido este post para ePub.
Tom Morello é famoso por suas inovações guitarrísticas e, só de um VHS, já consigo lembrar de três delas. Quem está habituado a ouvir punk, hardcore e afins, com certeza já ouviu algum pick slide como este (aos 00:17), do Offspring: o som da palheta sendo arrastada horizontalmente nas cordas superiores; algo que acho legal de ouvir, mas que me dá gastura em fazê-lo, por causa da textura das cordas. Morello traz um diferencial com seu slide curto e ritmado em People Of The Sun (aos 10:53).
A segunda e, talvez, mais conhecida é o "scratch" de Bulls on Parade (aos 15:44), o cara simplesmente usa a guitarra como se fosse uma pick-up: enquanto sua mão esquerda esfrega as cordas, tal qual uma "lâmpada mágica", a direita liga e desliga o kill switch (interruptor) numa velocidade igual a de uma criança que toca campainha e sai correndo.
Mas a que realmente ficou gravada em meu lobo frontal foi a de Bullet in the Head (aos 18:37): "do nada", o cara arranca o plugue da guitarra (!) e continua tocando com a ponta dele, enconstando-a na ponte (parte metálica inferior que prende as cordas), criando um som com o misto de interferência, microfonia e efeito do pedal da guitarra. Imagine só qual foi a reação de quem estava nesse show em 1996, ao ver isto pela primeira vez:
Menções Honrosas
Na minha "vida musical", trilhei um caminho que descambou para as vertentes mais extremas dos subgêneros que já gostava. Nesta seara, Terrorizer é uma de minhas bandas favoritas e brinco que o riff de Fear of Napalm é como se fosse um "Smoke On The Water do grindcore". No entanto, meu destaque vai para o baterista: Pete "Commando" Sandoval, com a música Generation Chaos. O cara está tocando com um fucking coturno e você notará que ele faz um som equivalente ao bumbo duplo apenas com seu pé direito, balançando-o para os lados. Daí nasceu outra alcunha pela qual os fãs se referem a ele: Pete "The Feet".
Em meados dos anos 2000, conheci a banda Asian Dub Foundation (ADF) enquanto jogava Need for Speed: Underground. Sempre achei interessante a mistura com elementos de vários gêneros musicais, indo desde instrumentos de percussão tradicionais até guitarras e pick-ups. Dia desses, assistindo ao vídeo deles, me surpreendi com Nathan "flutebox" Lee. Como o nome já entrega, ele faz um beatbox ao mesmo tempo em que toca sua flauta horizontal na música Future Proof (aos 2:50). Algo que faria Jethro Tull ficar numa perna só!
Do Brasil, trago a banda de crust punk Reiketsu, com a música Cinza (aos 17:59). Repare que o guitarrista Kiko Bueno coloca a palheta na boca, "saca" um dispositivo luminoso e o mantém encostado nas cordas enquanto sua mão esquerda faz os acordes / slides. Criando um efeito de ressonância mais "atmosférico", digamos assim.
Para fechar: Ratos de Porão, com João Gordo fazendo o solo de Agressão, Repressão (aos 0:55), enquanto o strap (alça da guitarra) ainda está no ombro de Jão. E isso parecia ser uma prática recorrente, à época: em 2000, no programa Turma da Cultura, a plateia tocou as cordas durante mesmo solo enquanto o Gordo fazia os "acordes" (aos 9:28):