Curadoria da Internet

Cinema de rua e a experiência das salas multiplex


O legal de ver filme em cinema de rua é que você sai da sessão e não é jogado direto num shopping center, dá pra ver a rua, o céu, as pessoas.


Gosto de acompanhar o feed das últimas postagens do Bear Blog e, ao ler o trecho supracitado no blog cdbm, senti vontade de falar sobre o tema.


Multiplex

A última vez que fui ao Cinema foi para assistir Bacurau, em 2019, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Foi uma boa sessão mas, em geral, a experiência de assistir a filmes em multiplex (shopping center) é bem tortuosa (e cara).

Por isso, simplesmente larguei de mão: muita gente mal-educada, com a mentalidade de que está alugando um metro quadrado durante duas horas para fazer o que quiser nele, sendo o mais comum usar smartphone com brilho em 100%.

Outra coisa que incomoda, de forma análoga àquela popup no streaming, é que mal começam a subir os créditos, luzes se acendem e funcionários da limpeza ficam ali plantados embaixo da tela, olhando em sua direção, aguardando "pacientemente" que você saia para começarem a limpar.

Obviamente, nada contra os trabalhadores, mas sim contra essa lógica de espremer os horários de sessões, com intervalos mínimos entre uma e outra; e sempre nos entupindo com propagandas das mais irrelevantes e fora de contexto, como as de empreendimentos imobiliários.


Cinema de rua

Nunca assisti a filmes num Cinema de rua tradicional, sempre foi em shopping center ou, no máximo, em festivais, como o Anima Mundi. Certa vez, até comentei no Filmow, na página de Grindhouse (2007):


... Como queria ter assistido isso num Cinema! Da forma como foi concebido o projeto!


Para quem não sabe, os filmes À Prova de Morte e Planeta Terror, do diretor Quentin Tarantino, foram concebidos para serem vistos numa mesma sessão, emulando uma antiga prática dos Cinemas populares. Entre um e outro, é exibido o trailer (até então, falso) do filme Machete, com Danny Trejo.

No Brasil, há relatos de que era possível assistir ao mesmo filme várias vezes nos cinemas de rua, sem sair da sala. Algumas pessoas até tinham o costume de entrar na sessão iniciada há algum tempo e, depois, permaneciam nela para ver o início da película!

Certa vez, tive uma experiência bem peculiar quando saí mais cedo da faculdade e assisti Blade Runner 2049 no modesto Cinema de um shopping antigo que não ia há mais de década. A qualidade técnica do som e projeção eram inferiores ao de costume, o layout da sala, ângulo do declive das fileiras era bem diferente, mas foi aconchegante.

A sala estava vazia e pensei que teria o prazer de assitir ao filme sozinho, mas depois chegaram cerca de oito pessoas. Como a acústica da sala não era das melhores, enquanto o filme não começava, pude notar o som dos ônibus freando ao chegar no ponto, que ficava na rua de trás.

O que seria um defeito, virou uma feature e me peguei pensando: será que é mais ou menos assim a experiência de um Cinema de rua? Confesso que até relativizaria o barulho e a bagunça em troca de não ter de pisar num shopping center.

Um adendo: ainda em 2025, compartilhei a citação que abre este post no Mastodon. Uma brasileira, que mora na França, comentou sobre um cinema de rua que fica no subterrâneo. Logo, não se ouve barulho externo e sua saída dá para uma ruazinha próxima de uma grande avenida. Não é permitido comer nas salas e as propagandas são de comerciantes locais.

Segundo ela, um local bem intimista. Imagino como seria interessante algo assim no Brasil: descer uma escada rolante e, ao invés de se deparar com aquela agitação típica do metrô, ter um refúgio do caos urbano. Sobretudo de um País barulhento como o nosso.


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