Impérios da Comunicação (Tim Wu) - Cap 01 de 21 - O criador destrutivo

Este post faz parte do Diário de Leitura.
OBS: O livro cita muitos nomes, empresas e fatos controvertidos. Por isso, deixei links da Wikipedia incorporados no texto. Havia criado também uma descrição breve, que aparecia ao passar o mouse sobre o nome, mas a retirei porque bagunçou o texto na versão do feed RSS.
PARTE I - A ascensão
Capítulo 1 - O criador destrutivo
A ideia central do capítulo se apoia na tese de Joseph Schumpeter, de que o Capitalismo não é movido por inovações sustentáveis, como a máquina de escrever elétrica, que aperfeiçoam o produto. Mas sim por inovações disruptivas, como o microcomputador, que o substituem totalmente. Daí o título do capítulo.
Enquanto a Western Union monopolizava a comunicação via telégrafo, o telefone era inventado, simultaneamente, por: Alexander Bell, Elisha Gray, Johann Philipp Reis e Daniel Drawbaugh. Cada um numa localidade diferente.
A maioria das pessoas esperava uma melhora no telégrafo, tecnologia já consolidada; por sua vez, o telefone era visto como algo especulativo. Mas Gardiner Green Hubbard, sogro de Alexander Bell e cofundador da empresa Bell, era inimigo da Western Union e acreditava que a invenção do genro poderia desbancar a monopolista do telégrafo.
Entretanto, A Western Union fazia parte de um grupo que também contava com Associated Press (AP) e New York Times. Além de ser aliada do Partido Republicano. A colaboração ia desde a "colheita de cerejas" para gerar notícias que favoreciam o "GOP", até a violação do sigilo dos telegramas de seus adversários.
Além deste círculo de influência, na parte técnica, contavam com uma grande rede de fiações. Também grande capital. Do lado da Bell, Hubbard era seu consultor jurídico / advogado e usava como arma as batalhas judiciais envolvendo patentes. Também nomeou Theodore Vail como gerente-geral.
Nos anos 1980 e 1990, a General Motors, como se sabe, estava totalmente equipada para assumir o mercado de carros elétricos, mas foi restringida pela falta de vontade de criar um rival para o motor de combustão interna, seu principal negócio. (p. 36)
Vale destacar o "Efeito Cronos", tática de destruir os concorrentes ainda no nascimento; sobretudo, se forem disruptivos. Há relatos de que, em um momento ruim, Hubbard ofereceu a patente da Bell à Western Union, mas esta deixou a oportunidade passar. Há também o ato de neutralizar as próprias invenções para não canibalizar seu negócio principal. Aqui, logo me vem a imagem do Cemitério do Google.
Quando Jay Gould fez um ataque financista à Western Union, a situação favoreceu à Bell. Esta fez um acordo que envolvia promessas mútuas: a Western Union abandonaria para sempre a telefonia em troca de 20% dos aluguéis dos telefones de Thomas Edison (ele era contratado da Western Union e fez melhorias no telefone). Por sua vez, a Bell jamais entraria no mercado telegráfico nem competiria com a Associated Press (AP).
Diferentemente do que muitos imaginaram, o telefone suplantou o telégrafo nas comunicações rápidas. Em 1884, Vail batizou uma subsidiária da Bell Company de American Telephone and Telegraph (AT&T).
Próximo Capítulo:
2 - Os sonhos do rádio, disponível a partir de 23/09/2026.
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